quarta-feira

Capítulo 3 - Lutas

                Lembro que andei por quatro horas, procurando por algum sobrevivente, fico impressionado em ver como a natureza está cada vez mais viva, escalando prédios destruídos, e escondendo ruas asfaltadas. E por sorte achei frutos , mas como poderiam estar numa caixa e não terem se deteriorado? Já faz tempo suficiente desde que estou consciente, tempo demais para uma fruta estar em bom estado. Alguém as teria colhido? Impossível, creio que não há mais ninguem neste mundo, e se estivesse não largaria comida pelo chão.
                Encontrei algumas maçãs, e algumas bananas, vou levá-las de volta ao meu abrigo, Jyunai está me esperando, espero que não encontre algo inesperado pelo caminho, mas é claro que encontrarei.
 - Isso não estava aqui – Penso comigo ao encontrar um lobo dilacerado – E não está fedendo. – No mesmo momento pego um pedaço de madeira que estava no chão, mas isso pode não ser o suficiente, então, corri e peguei uma viga pequena de ferro, bem a tempo de me virar e perfurar um urso com a boca ensanguentada, muito provavelmente aquele que havia matado o lobo, mas ursos não costumam matar lobos, eu sei, mas não estou numa situação costumeira, nem próximo disso. Voltei ao local onde estava abrigado.
- Coma isso – Eu disse a Jyunai, colocando a maçã próxima a sua boca. – Você não come há quanto tempo?
- Dois dias – Ela disse com uma voz trêmula. Confesso que sentia um imenso carinho por ela, mas não podia demonstrá-lo, nesse momento tínhamos que ser muito fortes e sentimentos talvez somente atrapalhariam.
- Que sangue é esse? Sinto cheiro de sangue. – Ela disse.
- Não se preocupe, era só um urso, mas já está tudo bem – Respondi enquanto lhe entregava uma maçã.
                Dormi. Ela ficou acordada, sempre ficava, dormia somente pelo começo da manhã, dizia que iria ficar de vigia, como se pudesse.
                - Ahhhhhhhh! Acorda! Acorda!- Num pulo acordei, me agarrei à viga de ferro, tarde demais, algum animal estava mordendo o braço dela enquanto ela se protegia, foi então que com força bati na cabeça do animal, ele a soltou e ficou quieto, me dirigi à direção oposta à porta da caverna onde estávamos, pois desta forma eu poderia melhor vê-lo quando passasse pela porta e então quando vi sua sombra, corri em sua direção, e no mesmo momento que lancei a viga senti uma dor muito forte em minhas costas e ouvi o som da viga batendo contra a parede, corri, quase caindo e sentindo a presença daquele ser atrás de mim, mais uma mordida e um pedaço de ferro fincado na barriga do animal, ele estava morto, e eu quase da mesma forma.
                Rodeado de sangue, o sangue do lobo ia se misturando ao meu, a dor estava cada vez  pior, sentia como se todos meus músculos tivessem trocado de lugar, e talvez realmente tivessem, Jyunai gritava desesperadamente e seus berros somente tornavam a dor cada vez pior, lembrei de um vidro de agua oxigenada que encontrei em um lugar que parecia ter sido uma farmácia, me arrastei até uma mochila onde o havia guardado e comecei a revirá-la trêmulo, não estava encontrando, mas achei uma gaze e a usei para limpar todo aquele sangue que escorria pelo meu peito e costas, olhei para o chão e lá estava a agua oxigenada, abri o vidro e o derramei por inteiro nas minhas costas, o ardor sobressaiu a dor, comecei a gritar desesperadamente de tal maneira que Jyunen se calou, imagino que tenha até mesmo aberto os olhos assustada, me lembrei que seu braço também estava ferido, quando consegui parar de gritar, alguns minutos depois, me aproximei e perguntei sobre como ela estava, me respondeu apenas que estava doendo, em resultado ao ato desesperado de derramar toda a agua oxigenada sobre mim ela havia acabado, então só pude lavar o machucado dela com um pouco de agua e coloquei uma gaze, procurei por uma pomada que ajudava a cicatrizar, felizmente a achei e a passei no braço de Jyunen, mais do que nunca percebi que deveria tomar providências, não posso mais me acomodar e ficar andando a procura de objetos que resistiram a destruição, preciso estar preparado para lutar, para garantir nossa sobrevivência.

terça-feira

Capítulo 2 - Selva de Pedras

Neste momento me encontro em uma suja, como todos os lugares, escura e destruída fábrica de papeis. É incrível como pensar no futuro incerto nos deixa ainda mais vunerável e solitário, preciso recolher o máximo possível de papéis, creio que será necessário,  escreverei com lápis, caneta, carvão e qualquer coisa que possa ser aproveitado.
                Como queria estar numa selva, pois assim saberia que encontraria animais para caçar, mas agora estou numa selva de pedras sendo encobertas pelo musgo que tenta trazer a paz e tornar a Terra limpa, apagar a destruição e mostrando mais uma vez que a natureza é mais forte que o homem com toda sua ciencia, ganância e superioridade.
                Começarei a escrever do que me lembro.

domingo

Capítulo 1 - Explorando a destruição

                Posso com certeza garantir-lhes que ver o fim do mundo não é algo fácil e mais difícil ainda é criar um mundo novo, tentar ao máximo torná-lo diferente do que fora. Na solidão, nessa destruição, penso em qual sistema de governo seria o mais funcional, visto que não há mais utopia de pensamentos, tudo pode ser como quero, tenho conciencia de que não será eterno, mas lutarei para que seja o menos breve o possível. E quanto a religião? Acredito que ela seja necessária, pois quando o governo falhar, e a corrupção existir, o que os impedirá do caos é a religião, porém não sei se tenho alguma para passar as próximas gerações. De qualquer forma minha maior dúvida é como criar uma descendência melhor se a única mulher que vi, até agora, neste mundo é cega.
                Depois da destruição várias doenças surgiram, bacterioses, verminoses, protozooses e principalmente viroses, entre uma delas há aquela que até agora percebi que impede o pâncreas de produzir insulina, uma que destrói a área do cérebro que é responsável pela visão, e a pior de todas: a que mata os óvulos, tornando as mulheres inférteis.
                Estou escrevendo para todo aquele que vier após minha morte saiba o quanto foi difícil meu trabalho, como era este planeta agora hostil, e que não pense em mim como algo ou alguém inventado, pois não será fácil meu trabalho, sinto que Deus se sinta assim, porém continuo sem saber o que é Deus e incerto sobre o que farei apartir daqui.